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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Uso de inteligência artificial avança e já alcança 59% dos órgãos públicos brasileiros

Pesquisa TIC Governo 2025 mostra que o Judiciário lidera a adoção da tecnologia, enquanto a falta de capacitação ainda é o principal desafio para ampliar seu uso no setor público.

foto: PublicDomainPictures/Pixabay

A inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina de 59% dos órgãos públicos federais e estaduais do Brasil, segundo os resultados da pesquisa TIC Governo 2025, divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O levantamento aponta crescimento da adoção da tecnologia e destaca diferenças entre os poderes e os níveis de governo.

O Poder Judiciário apresenta o maior índice de utilização da IA, com presença em 94% dos órgãos pesquisados. Em seguida aparecem o Ministério Público (92%), o Poder Legislativo (83%) e o Poder Executivo (55%). Entre as esferas administrativas, a tecnologia é mais comum nos órgãos federais (70%) do que nos estaduais (58%).

foto: publicidade

A pesquisa também revela que a inteligência artificial supera outras tecnologias digitais avançadas em adoção. Enquanto a IA já está presente na maioria dos órgãos, a Internet das Coisas (IoT) e o blockchain ainda registram índices significativamente menores tanto na esfera federal quanto na estadual.

Entre os órgãos que utilizam IA, a principal aplicação é a automatização de processos e fluxos de trabalho, adotada por 39% das instituições. Também se destacam a mineração de texto e análise de linguagem (35%) e o uso de aprendizagem de máquina para análise e previsão de dados (31%).

Pela primeira vez, o estudo analisou o uso da tecnologia nas prefeituras brasileiras. O levantamento mostra que 27% dos municípios utilizaram inteligência artificial nos 12 meses anteriores à pesquisa. A adoção, no entanto, varia conforme o porte das cidades: chega a 85% nos municípios com mais de 500 mil habitantes e a 81% nas capitais, enquanto nas cidades com até 10 mil habitantes o índice é de 22%.

Nas administrações municipais, a IA é empregada principalmente para automatizar processos internos e realizar mineração de texto. Os gestores afirmaram que a tecnologia é utilizada para melhorar os serviços prestados à população, aperfeiçoar as operações administrativas, apoiar políticas públicas e reforçar a fiscalização do uso de recursos públicos.

O levantamento também traçou, pela primeira vez, um panorama sobre o uso de inteligência artificial generativa no setor público. Na esfera federal, 65% dos órgãos possuem iniciativas voltadas ao uso dessa tecnologia em processos internos e 29% a utilizam em serviços oferecidos diretamente ao cidadão. Além disso, parte das instituições já oferece treinamentos, adota ferramentas específicas e estabelece diretrizes para orientar os servidores sobre o uso da tecnologia.

Apesar do avanço, a pesquisa identifica a falta de capacitação como o principal obstáculo para ampliar a adoção da inteligência artificial no setor público. O problema foi apontado por órgãos federais, estaduais e, principalmente, pelas prefeituras. Nos municípios, também aparecem como desafios a baixa prioridade dada ao tema, a falta de interesse, dificuldades relacionadas aos dados disponíveis e os custos de implementação.

Outro destaque do estudo é o crescimento do atendimento ao cidadão por aplicativos de mensagens. Nas prefeituras, a oferta de serviços públicos por WhatsApp ou Telegram passou de 56% em 2023 para 64% em 2025, tornando-se o segundo canal de atendimento mais utilizado, atrás apenas do telefone convencional.

A pesquisa TIC Governo é realizada a cada dois anos desde 2013 e busca acompanhar a incorporação das tecnologias digitais no setor público brasileiro. A edição de 2025 ouviu 576 órgãos federais e estaduais e 3.253 prefeituras entre julho de 2025 e abril de 2026.

Com informações da Agência Brasil

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