quinta-feira, 5 de março de 2026

PIB brasileiro cresce 2,3% em 2025 e chega a R$ 12,7 trilhões, impulsionado pela agropecuária

 - foto: Jaelson Lucas/AEN

A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB), totalizando R$ 12,7 trilhões em valores correntes, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio das Contas Nacionais Trimestrais. O PIB per capita, valor médio gerado por habitante, chegou a R$ 59.687,49, com expansão real de 1,9% em relação ao ano anterior.

Os números confirmam que as três grandes divisões da economia nacional, Agropecuária, Serviços e Indústria,  registraram variações positivas no acumulado do ano, embora com intensidades bastante distintas entre si e com sinais de desaceleração no último trimestre.

Agropecuária lidera, puxada por recordes na soja e no milho

O setor agropecuário foi o grande destaque do ano, com expansão de 11,7% — o maior crescimento entre todos os setores monitorados. O resultado foi sustentado por aumentos de produção e ganhos de produtividade em diversas culturas. O milho registrou alta de 23,6% e a soja, de 14,6%, ambas as culturas alcançando recordes históricos de produção em 2025. A Pecuária também contribuiu positivamente para o desempenho do setor.

Na Indústria, o crescimento foi de 1,4% no ano. O principal impulso veio da extração de petróleo e gás, responsável pela alta de 8,6% nas Indústrias Extrativas. A Construção Civil registrou avanço de 0,5%. Em contrapartida, as Indústrias de Transformação (-0,2%) e o segmento de Eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos (-0,4%) fecharam o período no campo negativo.

O setor de Serviços cresceu 1,8% e foi o único a registrar variações positivas em todas as suas atividades. Informação e comunicação liderou o segmento com alta de 6,5%, seguida por Atividades financeiras e de seguros (2,9%), Transporte, armazenagem e correio (2,1%), Outras atividades de serviços e Atividades imobiliárias (ambas com 2,0%), Comércio (1,1%) e Administração pública, defesa, saúde e educação (0,5%).

Consumo das famílias desacelera sob efeito dos juros altos

Pelo lado da demanda, o Consumo das Famílias cresceu 1,3% em 2025, beneficiado pela melhora no mercado de trabalho, pela ampliação do crédito e pelos programas governamentais de transferência de renda. No entanto, o resultado representa uma desaceleração expressiva frente ao crescimento de 5,1% registrado em 2024, reflexo dos efeitos da política de juros elevados sobre o poder de compra e o endividamento das famílias.

O Consumo do Governo avançou 2,1% no ano. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) — indicador que mede o volume de investimentos na economia — cresceu 2,9%, impulsionada pela maior importação de bens de capital, pelo desenvolvimento de software e pelo desempenho da Construção Civil, que compensaram a queda na produção interna de bens de capital.

A taxa de investimento em 2025 foi de 16,8% do PIB, ligeiramente inferior aos 16,9% registrados em 2024. A taxa de poupança subiu de 14,1% para 14,4% no mesmo período.

Quarto trimestre mantém estabilidade, mas investimentos recuam

No confronto entre o quarto trimestre de 2025 e o terceiro trimestre do mesmo ano, comparação feita com ajuste sazonal para eliminar variações típicas de cada período, o PIB avançou apenas 0,1%, sinalizando praticamente estabilidade.

Nessa base de comparação, os Serviços cresceram 0,8% e a Agropecuária, 0,5%. A Indústria, por sua vez, recuou 0,7%, com quedas na Construção (-2,3%) e nas Indústrias de Transformação (-0,6%). Entre os serviços, Atividades financeiras (3,3%) e Informação e comunicação (1,5%) puxaram o setor para cima, enquanto Comércio (-0,3%) e Transporte (-1,4%) ficaram no negativo.

Pela ótica da despesa no quarto trimestre, o Consumo do Governo cresceu 1,0%, o Consumo das Famílias ficou estável (0,0%) e a Formação Bruta de Capital Fixo recuou 3,5%.

A próxima divulgação das Contas Nacionais Trimestrais, referente ao primeiro trimestre de 2026, está prevista para 29 de maio, pelo IBGE.

Com informações da Agência IBGE